Carotida

Compressão da artéria carótida interna pelo ligamento estilohióideo calcificado, causando episódios de isquemias cerebrais transitórias. Relato de caso operado com sucesso.

Figura 1 - Presença de pequena área hipodensa, com formato grosseiramente arredondado, medindo aproximadamente 1 cm em seu maior diâmetro, localizada na profundidade do hemisfério cerebral esquerdo, em topografia de tálamo, com discreto efeito de massa sobre o terceiro ventrículo e que não se modifica após infusão endovenosa de contraste - (detalhe de estudo tomográfico computadorizado cranio-encefálico)

Dois meses após, assintomático, foi internado na Clínica de Cirurgia Vascular do Hospital Geral de Jacarepaguá. Seu exame físico era normal, inclusive sem sopros cervicais audíveis, estando em excelente estado geral. Os exames laboratoriais de sangue, ECG e RX de tórax, repetidos, continuavam normais. Foi submetido a exame com duplex scan, cujo resultado também foi normal.

Figura 2 - Estudo angiográfico por subtração digital revelando a presença de imagem em meia-lua no bulho carotídeo esquerdo, projetando-se para o interior du luz da artéria carótida interna, apontada pelas setas
Figura 3 - Angiografia por subtração digital demonstrando imagem semilunar semelhante no bulbo carotídeo direito, porém menos intensa do que no esquerdo, apontada pelas setas

Por se tratar de paciente jovem, em vida laboriosa e com passado de infarto cerebral no hemisfério esquerdo, sem evidências de outras origens que não a lesão visualizada na angiografia da carótida esquerda, indicamos tratamento cirúrgico, supondo tratar-se de lesão congénita bilateral de carótidas internas causando embolização à esquerda.

O paciente foi submetido, sob anestesia geral, a arteriotomia exploradora de carótida interna esquerda, sem shunt, após a medida de pressão retrógrada (stuinp pressure acima de 50 mm de mercúrio), constatando-se a presença, logo na origem da carótida interna, de lesão fibrosa em semicírculo, ao nível da parede posterior, frouxamente aderida ao endo-télio, passando parcialmente em ponte, facilmente ressecada, deixando a parede arterial macroscopicamente "lisa" (Figs. 4 e 5). Não foram visualizados trombos ou quaisquer tipos de formações suspeitas como fontes de êmbolos. O pós-operatório imediato transcorreu sem complicações, e o paciente teve alta hospitalar após 72 horas.

Figura 4 - Fotografia operatória, após arteriotomia longitudinal ao nível do bulbo carotídeo esquerdo, observando-se a placa semicircular, facilmente destacável, parcialmente em ponte, por onde se introduziu a ponta da tesourei de Polts
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