| Figura 5 - Observa-se a parede arterial inteiramente "lisa" após a retirada da placa |
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Figura 6 - Placa fibrogordurosa ulcerada, dentro da íntima e na espessura da parede arterial (coloração pelo método Chromatrope Anilin Bine, objetiva 5.3/0.20)

Figura 7 - Detalhe da placa, mostrando a proliferação de fibras colágenas e células claras com acúmulo de material lipídico (coloração pelo método Hematoxcilina-Eosina, objetiva 25/050)
O material retirado foi enviado a estudo histopatológico, que revelou "segmento de tecido tubuliforme, esbranquiçado, medindo 1 cm de consistência elástica, tendo, aos cortes, áreas amareladas endurecidas. O exame microscópico mostrou parede arterial espessada, com proliferação da íntima e depósito subintimal de células claras de mistura a fibroblastos (Figs. 6 e 7). Diagnóstico final: aterosclerose obliterante". |
Por medida profilática, o paciente foi reinternado e submetido à mesma cirurgia no lado direito, encontrando-se lesão semelhante, um pouco mais delgada do que a do lado esquerdo, com as mesmas características histopatológicasjá descritas para a peça anterior. O pós-operatório imediato também foi isento de complicações, e o paciente se encontra assintomático após 40 meses de seguimento pós-operatório.
CONCLUSÕES
O presente caso chamou a atenção, inicialmente, por se tratar de infarto cerebral, comprovado por tomografía computadorizada, ocorrido em paciente jovem e atlético, sem quaisquer sintomas prévios, com exame físico normal, sem soprologia cervical e com todos os exames de rotina e especiais para o caso sem alterações.
O estudo angiográfíco por subtração digital, realizado de maneira completa, incluindo arco aórtico, carótidas, vertebrais e circulação intracraniana em várias posições, foi preciso na detecção da lesão encontrada na cirurgia, através da imagem semilunar demonstrada nas carótidas internas, o que não aconteceu com o exame ultra-sonográfico, que não captou a alteração endotelial naquelas artérias. O ecocardiograma feito para avaliação de patologias cardíacas embolizantes foi negativo. Nossa suposição inicial é de que se tratava de lesão congénita, tipo diafragma, na origem das carótidas internas, causando acúmulo de material trombótico e embolização no lado esquerdo.
O achado cirúrgico continuou surpreendente, de vez que não encontramos hímens ou diafragmas conforme supúnhamos, por tentativa de avaliação pré-operatória das imagens angiográficas, e sim uma ponte de tecido fibrótico, frouxamente aderido ao endotélio do bulbo carotideano e facilmente ressecada bilateralmente.
Conforme mostrou o estudo histopatológico, a placa incomum retirada da carótida esquerda se encontrava ulcerada microscopicamente, o que explica perfeitamente o desprendimento e/ou formação de material emboligênico àquele nível.
O paciente, irmão de médica, vem sendo acompanhado cuidadosamente por nós há 40 meses, com vida ativa e inteiramente assintomático durante todo este período, o que nos tranquiliza quanto ao acerto da indicação cirúrgica.
Na pesquisa bibliográfica não conseguimos encontrar na literatura descrição de lesões semelhantes em carótidas, congênitas ou adquiridas, fato que nos levou à apresentação |